domingo, 14 de agosto de 2016






Praia  do Pego

meia dúzia de horas de normalidade.
há quem diga que normalidade é uma raridade


domingo, 31 de julho de 2016

Entre os inesperados (bons) da vida, há os esperados e desejados. O Piodão, foi um desses. Imaginei-o tantas vezes na forma de um trail, que correria no verde para chegar à paleta de xisto. Adiei para um ano, depois para outro e mais outro. Adiei para lá chegar este fim de semana. As curvas e contra-curvas da serra do Açor começam a tornar-se familiares à medida que as nossas incursões avançam nos seus meandros. Começar por desvendar a Foz D´Égua, na confluência de duas ribeiras converge também a nossa atenção para aquele enquadramento mais comum, mas a minha atenção não cessou também de se expandir à grandiosidade das encostas que se elevam ao céu, como se quisessem separar este detalhe do resto mundo. E é assim que eu o sinto, num mundo à parte, daquele em que eu própria vivo. Daqui para Arganil para descansar e ansiar a continuidade deste alheamento e fusão com as particularidades desta serra. E continuou pela manhã aproximando o pé da praia fluvial de Coja, e molhando-o de forma irreversível na Fraga da Pena. Perseguir as sucessivas cascatas, assistir à coragem de quem mergulha por mim nas àguas um-tudo-nada frescas. Regressar por outro trilho com vista singular para ambas as vertentes. O meu mundo comum fica mais pequeno comparado com aquilo que a minha vista alcança. Até que alcança novamente o Piodão, numa aproximação mais enamorada. As curvas permitem retardar aquilo que já sei ser uma certeza. O encontro. Ao subir o primeiro degrau, imagino-me uma anciã no esforço que faço para lembrar como seria em jovem. As portas e janelas trazem vizinhos e conversas à boca-pequena no intervalo da lavoura e dos lavoures. Encantador o Piodão. Descer novamente para a Foz D´Égua, e descer ainda mais um pouco às aguas num tímido mergulho. Não podia regressar sem experimentar como apesar de frias, são límpidas e de uma energia quase intocável que trazem do centro da terra. É com essa energia que voltamos a subir ao topo da cordilheira da Serra do Açor. A tal, que se torna familiar, neste mundo à parte, neste mundo onde já ganhei uma estima pela eólica  34. Porque no meio de tantas esta sopra-me sonhos que se tornam realidade.









terça-feira, 26 de julho de 2016



Na véspera de deixar de ter tempo para estas coisas, consegui levantar os pés do chão. Um shirsasana muito imperfeito, que me deu para rir e chorar de espanto.
Em vez de me beliscar para ter a certeza que era verdade, cheguei a casa e fiz mais uns quantos sozinha... e em 10 segundos (que é o tempo de tirar uma selfie-prova-do-acontecimento)...



segunda-feira, 25 de julho de 2016


Esta segunda-feira, durante um despertar lento, tive o seguinte pensamento: "Pronto acabaram-se as férias, tenho de regressar ao trabalho..."


São Bernardino || foto 3 do g.

a saber: 
Primeiro, não estive de férias
Segundo, fiz muitas coisas (boas) este fim de semana, incluindo as limpezas. 


domingo, 17 de julho de 2016


Ainda bem que não fechei a porta de casa sem antes voltar atrás para ir buscar um casaco. Nunca se sabe. Saímos para fugir ao calor e descemos no mapa 15 graus centígrados. Quando regressei tomei banho sobretudo para tirar o protector solar que havia colocado com antecedência. Dei por mim tão feliz porque tinha ido agasalhadinha para praia e por não ter nenhum escaldão que para a próxima até fiquei com vontade de levar mais uma sweat...






Praia de Cambelas || 1, 4, 5 fotos do g.


sábado, 16 de julho de 2016

domingo, 10 de julho de 2016







Praia do Porto Dinheiro || 1,2,4 fotos do g.

"Qualquer viajante conhecerá esta verdade elementar: o mundo é simultaneamente demasiado grande e demasiado pequeno. Questão de escala." 

Carlos Vaz Marques in prefácio de Sibéria de Olivier Rolin


sexta-feira, 8 de julho de 2016



quando me sentei pensei "Agora já não saio daqui"... e efectivamente isso ficou perpetuado nesta foto!


quinta-feira, 7 de julho de 2016




campo || fotos do g.

"...o caminho para a unidade acontece quando tu aceitas a tua variedade..." a professora Marta Cóias

(pela expressão de toda a variedade que existe em ti começas a sentir-te mais uno)

domingo, 3 de julho de 2016



fotos da S.
Não há duas sem três (a um aqui, aqui e aqui e a dois)
Esta foi a minha terceira participação no Trail das Zagaias e a primeira prova deste ano. O termo “prova” nunca fez muito sentido para mim, especialmente tratando-se de trail. São sempre oportunidades de fazer trilhos em segurança, desfrutando de paisagens belíssimas e de estar em contacto com a natureza. Talvez porque agora me levem a fazê-lo num registo mais calmo com tempo para apreciar, deixei que se passem seis meses sem participar em qualquer prova de trail (estrada nem se fala, que não tenho qualquer motivação). Na sequência de nos termos divertido no ano passado, nesta mesma prova, resolvi desafiar a S. para participarmos novamente. Equipa que ganha não se mexe. Nos últimos seis meses corremos muito pouco comparativamente com a frequência de outros tempos e a 15 dias da prova fizemos o primeiro “treino” de dois em condições de piso parecidas. Quisemos ver como nos aguentaríamos a fazer 22km a partir de uma amostra de 10-12km. Fizemos um pacto de não ter expectativas (a não ser terminar a prova em 3 horas), de fazer a coisa nas calmas, que a ideia é sempre divertir-nos, garantindo que não correríamos na hora de maior calor e que chegaríamos a tempo para o almoço. Partimos para Mação com a descontração do costume e a razoável para quem dormiu mal e teve de despertar às 6h20 de um domingo. Chegando lá e conhecendo os cantos à casa, não demoramos a ir levantar os nossos dorsais e a preparar-nos com os cintos de hidratação para a manhã que se previa ser das mais quentes dos últimos dias. Dali seguimos no autocarro da organização para a Praia do Carvoeiro. Coincidência deste início de prova ser justamente onde o ano passado a terminámos. Fomos conhecer a praia antes de regressarmos a casa depois da prova. O autocarro de atletas circunscreveu as serras descendo (repito, descendo) da vila Mação, onde seria a chegada, até à praia. A minha repetição pressupõe uma conclusão do que nos esperava, não por estrada mas por trilho! Subir. Subir.
Começamos com o calor numa fasquia um pouco mais alta que o previsto e que foi aumentando até à nossa chegada . O calor deixa-me à beira do fanico e segui sempre a fazer gestão do meu esforço para ter a certeza que chegava sem ter sofrido muito, Mas para que é que eu me meto nisto?! Felizmente reconheci na resposta a esta pergunta a magia de não controlarmos a nossa vida e não sabermos o que vem a seguir. Reconhecesse isto com particular satisfação quando somos surpreendidos pelo “tão bom”. E o “tão bom” foi sempre que o calor aliviou pela passagem por trilhos de vegetação mais densa que nos fazia sombra. Foi sempre que apreciámos e usufruimos dos benefícios da aromaterapia pelas suaves essências de pinhal ou eucaliptal. Foi sempre que nos via rodeada de serras. Foi sempre que escutávamos o som da água a correr nas ribeiras. Foi “tão, tão bom” sempre que não perdemos a oportunidade de nos molharmos ou mergulharmos na água. E neste terceiro trail tirei a barriga de misérias de mergulhos nas ribeiras.
Na primeira a água mal nos tapava os artelhos mas isso não nos impediu de nos molharmos com a ajuda das mãos. Já a roupa havia secado quando mandavam as fitas que passássemos ao lado de uma ribeira de água de cor límpida formando como uma piscina. A S. sugeriu um mergulho e eu nem pensei duas vezes. Desviamo-nos do percurso e mergulhámos até ao pescoço. Antes de retomarmos o trilho, ainda em êxtase pela frescura que me tinha tomado, observei com o meu ar tolo os cinco simpáticos participantes que nos passaram à frente imperturbáveis pela piscina natural. Pensei, “mas só nós é que gostamos disto?, Ana, deixa-os passar e não os atrapalhes na pressa de pôr um pé à frente do outro até à meta!”. Daí a uns metros ainda recarregamos energia num abastecimento de água fresca, ou pelo menos mais fresca que o chá que levávamos à cintura. Tivemos ainda laranja, banana, batata frita e marmelada para recarregar energia. Voltamos a aquecer, a roupa secou parcialmente e aproveitando a passagem ao longo de uma ribeira, entre escorrega aqui e equilibra-te ali, por querer fomos novamente ao banho de água até ao pescoço. Seguimos por mais uns quilómetros e tal como antes, nem os calções, nem as sapatilhas estavam enxutas e nós a passar ao lado de um rio com um enorme espelho de água a sorrir-nos. Sendo nas proximidades de um abastecimento, informamo-nos onde seria mais seguro ir ao banho e aí fomos nós, entrar, mergulhar até ao pescoço e seguir adiante. Daí até à meta foi quase sempre a subir, quase sempre a andar e sempre com muito calor. As pernas fraquejaram, denunciaram a falta de treino, visto que às vezes até queria correr mas parecia que tinha músculos de madeira.
Três horas e vinte cinco minutos depois da partida chegámos à meta. Ou melhor à primeira meta, pois para mim há claramente uma segunda, que é o almoço incluído no evento. Um almoço para todos os atletas, numa barraquinha da feira da Mostra de Mação. Para isso fomos primeiro ao banho, de chuveiro, onde a pressa também não nos tocou. Um agradecimento às pessoas que tomando conta dos balneários, permaneceram à espera que saíssemos para fechar os mesmos. Depois foi a passo tranquilo que chegamos ao recinto da feira. Gosto muito deste momento. Sabe bem pelo ambiente, pelo espaço, pela comida e pela simpatia de quem nos serve garantido que não nos falta nada. Chegámos, já estavam todos no prato principal. Mas o “tão bom” continuou a fazer das suas. Encontrámos dois lugares lado a lado numa mesa e um responsável da organização garantiu que também ali experimentássemos tudo como se tivéssemos chegado a horas. Começamos pela tábua de finas fatias de enchidos e produção local. Arrisco-me a dizer que é o único dia do ano em que como isto com satisfação. Acompanhado de pão caseiro de trigo e ou de milho e uma imperial é com certeza o momento em que atravessei a segunda meta. Dali para frente provei a sopa, passei ao prato principal, sempre delicioso, com fartura de tudo e onde até gosto do serviço de loiça que confere ainda um ambiente mais castiço e caseiro à festa. Pelo terceiro ano seguido é também o primeiro dia de comer melancia fresca e boa à sobremesa. Um conjunto de mimos que acresce ainda mais a certeza que esta prova é uma experiencia a não perder.
Obrigada à S. mais uma vez pelo companheirismo e amizade e aquela dose de loucura qb que a faz alinhar comigo, esperar por mim e ainda fazer-me acreditar que para o ano “nós lá”!
É com a distribuição dos prémios que acaba a festa. Diz-se à boca pequena que ganhámos o de quem mais se divertiu. Diz a S. que disso não haja duvida. Eu só digo uma coisa…

“tão bom”…

fotos de AC


quinta-feira, 30 de junho de 2016



foto de há uns tempos num "ensaio geral" em casa...

Sempre gostei do sabor do café mas nunca tive hábito nem o vício. Houve um tempo que bebi somente “café das velhas” (café da borra de cevada) em casa dos avós. Depois a minha mãe começou a fazer em casa mas nunca sabia tão bem. Acho que era porque não condizia com as canecas de design contemporâneo, com a cafeteira alumínio liso, nem com uma cozinha sem lareira. Cheirava e sabia a antigo. Perdemos as pessoas e com elas o ritual que se tornava doloroso na sua ausência.
Entretanto descobri o impulso de desejar um café. Começou por ser a meias com o meu pai no fim de alguns almoços. Sempre com muito açúcar. Depois com o G. integrando essa lógica do seu mundo. 
Sentir que nem sempre cafeína me deixava o coração a mil, abriu uma janela a esta experiência. Andei ali a espreitar por detrás da cortina e hoje acho que me debrucei-me no parapeito. 
Entrei sozinha numa pastelaria pedi um café cheio e uma bolacha caseira. Levei tudo para uma mesa e sentei-me ali a degustar o momento sem outro açúcar que não fosse o da bolacha. Enquanto isto observei as pessoas que passavam na rua. Dos demais que entraram e saíram da pastelaria, acho que ninguém se apercebeu da minha estreia na postura. Tantos anos a ver os outros sincronizados nesse ritual massivo não terá sido em vão na minha encenação. Não terá sido um primeiro acto isolado mas não cederei facilmente à banalização do gesto.


sábado, 25 de junho de 2016




Há uns meses deixei de cortar os cabelos brancos que me vão aparecendo. Havia nesta preocupação algo que não era meu e resolvi experimentar não me preocupar. Está a correr bem apesar nem sempre ser indiferente ao facto de serem indisciplinados e gostarem de dar nas vistas. Ocultava-os e agora acostumamo-nos todos a vê-los. Ajudam-me a convencer os outros dos trinta e sete anos que faço hoje. Dos que nunca me querem dar mas que já nada os tira de mim. Alivio-os eu na forma como me permito viver não preenchendo o arquétipo de uma senhora da minha idade, experimentando a minha realidade de uma forma livre desses preconceitos. Viver.
Neste dia sinto uma particular gratidão pelas coisas boas que acontecem, que me equilibram na minha perda. Celebro a vida, em mais um ano a abrir caminho por dentro para aprender mais sobre fora. Celebro o amor, a presença e amizade de quem me quer o bem.
Num ano em que troquei a minha idade pensando ser um ano mais velha, à sensação de que celebro duas vezes a mesma idade,  só posso somar mais um ano de ser feliz.

Praia do Farol || fotos do g.


segunda-feira, 20 de junho de 2016


solstício de verão

strawberry moon


[23h45] por coincidência postava esta foto às 23h34, hora prevista do solstício de verão. Depois de publicar corri para a janela da cozinha, para não perder a oportunidade de estar presente.

Fui recebida com uma estrela cadente...


domingo, 19 de junho de 2016



Voltar à Arrábida é voltar para descobrir mais. Reiterar as razões do primeiro encanto que me lançou. Conquistou-me na sua paleta de verdes e azuis e na proximidade com a divina beleza do mar. Converte-me sempre numa privilegiada, mesmo que resmungona, durante um trilho apertado pelos ramos e permanentes arranhões que senti nos braços e pernas.
Mas anteriormente, privilegiada, pelo mergulho na agua transparente da Praia Alpertuche. A praia é do tamanho ideal para dois mas estavam mais. Depois de interiorizar essa proximidade e de escolhermos um lugar com um perímetro razoável de privacidade, sentei-me numa rocha de costas para o sol quente e com os pés mergulhados na água fria. O contraste não ajudava à decisão de avançar para mar, por isso demorei-me nesses repetidos gestos de adaptação do corpo à nova temperatura. Mergulhei uma e outra vez e voltei ao porto seguro da rocha que me permitia apreciar desde a limpidez da água à magia das suas cores que entre a cintilante ondulação. Apreciar como cada um, no seu perímetro, vivia a mesma tranquilidade, movendo-se vagarosamente parecendo retardar a velocidade de rotação da terra.

Saímos dali igualmente em câmera-lenta a tempo de um trilho que nos levaria para a Praia dos Coelhos. Foram oitocentos metros de arranhões por um disfarçado trilho que nos conduziu a pontos de reencontro com o mar e com vistas sobre as praias do Portinho da Arrábida e a Praia da Anicha. Chegámos quando os últimos se estavam a ir embora. Afaguei os arranhões na brisa quente enquanto vi o céu ficar rosa. Olhei-o disfarçando o quanto gosto de o ver assim. Regressamos por um caminho mais directo ao ponto de partida. Ao eterno ponto que marca esta nossa aventura, a ansiedade do começo e a sensação de realização e satisfação do regresso.







fotos do g.


sábado, 18 de junho de 2016


Sábado de manhã...

era uma vez uma luz...
there was once upon a light...
gosto desta luz e destes dias compridos, fazem-me crer que a vida cresce com eles na mesma razão da sua intensidade


segunda-feira, 13 de junho de 2016



Pouco depois de me ter explicado que a paisagem não tardaria a mudar, comecei a visualizar os seus argumentos. Serpentear pela cordilheira da serra do Açor, no degradé que as montanhas desenham ao nosso redor, rodando sobre elas os moinhos de vento dos tempos modernos. Depois de passar por um dos pontos mais altos, descemos para entrar na aldeia de xisto do Fajão ao som dos bombos. Por instantes infiltramo-nos na festa e vesti a alma desta ruralidade, atenta ao burburinho e às frases soltas. Frases que entretêm o meu imaginário num mundo que me cativa. Descemos mais um pouco para o primeiro banho fluvial no Poço da Cesta. A água estava fria, mas nós estávamos com calor e com vontade de fazer parte do cenário. Num vagaroso mergulho, deixei-me ir com as águas do Rio Ceira de uma pedra para a outra. Por fim a pedra quente reconfortou-me a pele e detive-me de frente para o sol num tempo que se prolongou para além daquele que o relógio marca. Saímos dali pelo mesmo trilho mas desviamos depois por um outro que nos levou paralelos á margem do rio, que é como quem diz, que seguimos nessa perfeita combinação de verde, montanha e água. Paramos muito para ver e registar. Trazer connosco um pouco desta beleza de que nos cercamos. Depois de dois dedos de conversa com uma senhora, a quem me esqueci de perguntar o nome, dona de um rebanho de cabras que pastavam nas encostas e de dois cães meigos que se prostraram aos nossos pés, regressamos para respirar mais fundo e tirar mais fotos. Escurecia quando chegámos ao carro, caiu a noite antes de sairmos da serra e caiu sobre mim um cansaço que me impedia de manter os olhos abertos e rebobinar os pormenores de que não me quero esquecer.

Sou grata, porque a maior parte das vezes o fim-de-semana é o início que qualquer coisa boa. De um tempo sereno e urgente, em casa ou fora mas sempre com detalhes vários em que respiro devagar, penso baixinho e observo muito.








fotos do g. e moi